09/05/2012 | Viagem | Gustavo Kosha | |

a chegada ao Japão

Dia 8 de dezembro enfim partíamos de Dubai com destino a Osaka, nossa primeira parada no Japão. Alguns dias antes, ainda em Dubai, eu tinha assistido pela internet a festa maravilhosa que a nossa torcida proporcionara no aeroporto de Cumbica para se despedir do nosso time. Nunca imaginei que nossa torcida faria uma festa nessas proporções, praticamente parando o aeroporto. Me emocionei. Talvez a primeira das grandes emoções que viria a ter nessa viagem. Para quem não teve a oportunidade de ver, ou para quem quiser rever,  clique aqui

De volta ao moderno aeroporto de Dubai, nosso vôo saía na madrugada do dia 8 para o dia 9. Depois de fazer todos os trâmites legais para deixar os Emirados Árabes entramos na sala de embarque e nos deparamos com cerca de mais ou menos 30 torcedores do Esperance, time da Tunísia. Um grupo formado predominantemente por homens (havia apenas uma mulher!), de várias idades, todos uniformizados, e muito animados. Eu confesso que conhecia (e conheço) muito pouco do futebol tunisiano. Nem sabia que o futebol era um esporte admirado naquele país. Aquilo me surpreendeu.

Enquanto aguardávamos para embarcar resolvi conversar com um dos torcedores tunisianos. Identifiquei-me como torcedor do Santos e iniciamos um papo bem animado sobre futebol. Apesar da festa e da alegria com que todos estavam embarcando, esse torcedor me confessou que tinham pouquíssimas esperanças em relação ao sucesso do Esperance no Mundial. Estavam todos animados pela conquista da Copa da África (título que proporcionou ao time da Tunísia disputar o Mundial Interclubes), mas eles sabiam que, o que viria a partir de agora seria lucro. Brinquei dizendo que nos veríamos na final, depois que eles eliminassem o Barcelona. Ele sorriu e disse: “Nós assistiremos vocês contra o Barcelona, não nos iludimos” e emendou com um simpático “torceremos por vocês”. Agradeci o apoio, mesmo sem acreditar muito. Sem dúvida nenhuma o Barcelona era o grande protagonista do Mundial e, apesar de acreditar no sucesso do Santos, eu não me iludia em relação a sermos coadjuvantes. Nos despedimos ainda na área de embarque e nos preparamos para as oito horas de voo que nos separavam de Osaka.

O vôo foi tranquilo e chegamos ao Japão já a noite, tudo isso devido ao fuso horário que fez um vôo de 8 horas levar mais de 15. Ao desembarcar no aeroporto de Kansai em Osaka, fomos surpreendidos pela imigração japonesa que fez questão de revistar não só todas as nossas bagagens mas também fazer uma revista completa em mim e na minha esposa.

Liberados, cruzamos novamente com os torcedores do Esperance antes de sair do aeroporto. Dessa vez grande parte do grupo veio até mim e pediu para tirarmos fotos juntos. Saquei minha bandeira do Santos, juntamos com as que eles tinham do Esperance e fizemos uma grande confraternização. Talvez fosse um sonho para eles, assim como era para mim, estar ali. Nesse momento eu comecei enfim a sentir o clima de futebol. O clima de disputa, infelizmente, diferente da disputa que vivemos aqui no Brasil. Uma disputa sadia, alegre, onde adversários não são inimigos.

Começava ali a respirar os ares do Mundial. Me dei conta, talvez pela primeira vez, que vivia uma oportunidade única e tinha que aproveitar cada segundo!

Texto anterior: Até onde você iria por uma paixão

Continua em 16/05/2012…

 

Foto: Gustavo Kosha

 

Foto: Gustavo Kosha

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