18/04/2012 | Viagem | Gustavo Kosha | |

imortalizar uma derrota – onde tudo começou

Imortalizar uma derrota?

 

Definitivamente não! Exaltar uma batalha. Registrar um aprendizado. Perder faz parte do jogo, e a principal virtude de um vencedor é saber reconhecer uma derrota.

Tenho a certeza de que, se fossemos campeões, existiriam muitos livros a respeito da nossa vitória. Minha primeira ideia, na verdade, era exaltar e deixar registrada a nossa conquista, é óbvio, mas nem sempre as coisas saem como esperamos…

Desde que acertei minha viagem ao Japão conversei com muitas pessoas. Pessoas ligadas a diretoria do Santos, blogueiros, jornalistas e principalmente torcedores que iriam daqui para lá, assim como eu, sem conhecer muito sobre aquele país, sem saber o que de fato encontrariam na sua viagem. Eram, e são, torcedores normais, pessoas comuns, dessas que a gente encontra por aí, no dia a dia, nas ruas, nos estádios. Pessoas que, assim como eu, acreditavam em um sonho.

O título mundial não veio, mas com certeza o que eu vi e vivi aqueles dias que passei do outro lado do mundo merecem, e muito, um registro. É claro que eu gostaria que o final dessa história fosse diferente, mas as coisas nem sempre acontecem do jeito que queremos.

Quando voltei de viagem, confesso, havia desistido de escrever sobre a nossa “epopéia”, mas depois de muito incentivo retomei o processo. Nos próximos capítulos você não lerá uma história linear, que já se sabe o final, você lerá relatos de pessoas comuns, de todas as partes do mundo, que foram até o Japão e não viram o seu time ser campeão, mas tiveram a certeza de que o Santos é muito grande, talvez (para nós santistas, com certeza!) o maior time do mundo, independente de títulos, de gols e de vitórias.

O Santos, e somente o Santos, é conhecido por sua história, a mais rica do futebol mundial. A nossa grandeza ultrapassa todas as fronteiras, e isso foi um fato provado e comprovado nos dias que estivemos por lá.

No Japão eu tive a certeza de que a nossa torcida é imensa e apaixonada, e é por ela que eu decidi registrar essas passagens.

As histórias que serão aqui relatadas nas próximas semanas são todas reais, vividas por mim, pelos amigos que foram comigo e por santistas que conheci pessoalmente e virtualmente graças a essa viagem.

Apesar do resultado adverso são relatos emocionantes, sinceros e apaixonados. Quando se fala sobre o Santos, é difícil ser diferente e fugir desse padrão, afinal de contas, torcer para o Santos é um orgulho que nem todos podem ter.

 

Foto: Gustavo Koscha

 

 

Como tudo começou

 

Saí apressado do trabalho. Precisava chegar ao aeroporto o quanto antes, já que pela internet não consegui fazer o meu check in. Era dia 15 de junho de 2011 e o Santos jogaria o primeiro jogo da final da Libertadores da América naquela noite, em Montevidéo, no Uruguai. A ansiedade era imensa, e como se não bastasse a dificuldade do jogo, um tal vulcão resolveu expelir cinzas dias antes da partida, prejudicando vários vôos para o sul do continente americano, inclusive para o Uruguai.

Cheguei ao aeroporto de Cumbica e para meu alívio consegui fazer o check in tranquilamente, tendo a confirmação do atendente da companhia aérea que, naquele dia, as cinzas do tal vulcão não atrapalharam em nada os vôos. “É preciso muito mais que um vulcão para me impedir de ver o Santos” – disse eu todo orgulhoso em uma entrevista à um famoso jornal esportivo de São Paulo, minutos antes de pegar o meu cartão de embarque.

Pronto, agora era esperar um amigo que vinha do Rio para, juntos, embarcarmos para sermos mais uma vez testemunhas oculares da história santista.

Sempre me considerei um “torcedor de estádio”, nunca vi graça em assistir aos jogos de futebol pela televisão. Não há emoção maior do que estar junto ao seu time, esteja ele aonde for. Claro, isso quando existe tal possibilidade.

Acho que “puxei” isso do meu pai. Graças a ele sou sócio do Santos desde os quatro anos de idade (hoje, já sou sócio remido). Ele sempre me levou aos jogos na Vila famosa, primeiro nas antigas arquibancadas do “sócio-cachorro”, e, depois de alguns anos, nas cadeiras cativas. Foi com ele também que, em 1983, assisti minha primeira final: a do campeonato brasileiro contra o Flamengo, em um Maracanã com mais de 155 mil pessoas. Eu tinha apenas 6 anos e infelizmente me lembro de muito pouco desse jogo. Perdemos, mas apesar da derrota, gostaria de ter registros de santistas sobre esse espisódio.

Depois disso viajamos muito, principalmente para os jogos na capital Paulista. Vivemos bons e maus momentos no Pacaembú, Morumbi e hoje, por conta de um problema de saúde, meu pai não pode mais me acompanhar nas viagens que se tornaram rotineiras para mim.

Voltando ao dia 15 de junho, no aeroporto de Cumbica, depois da chegada do meu amigo, recebemos a triste notícia que o nosso vôo iria sim atrasar. Sem muita satisfação fomos informados que não havia previsão para a partida de nosso avião. Aquilo veio como uma bomba, explodindo todas as esperanças de vermos a primeira final da Libertadores. Nós perderíamos sim um dos momentos mais importantes do Santos. Decepção.

Depois de muito stress e um processo movido contra a companhia aérea voltei para casa arrasado, assisti ao jogo pela televisão e aguardei uma semana, talvez uma das semanas mais longas da minha vida, para enfim, ir até o Pacaembú e poder gritar: “É campeão”! Eu tinha certeza do título, e eu estava certo…e o Japão, muito mais perto.

 

Foto: Gustavo Koscha

 

 

Foto: Gustavo Koscha

Continua em 02/05/2012…

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