13/07/2012 | cultura | Arthur Perissinotto | |

o rock não usa camisinha

Começou há uns 80 anos. Seu nome foi inspirado no ato sexual, pelos negros do blues e do R&B. Ele foi concebido como nós. De lá pra cá, teve muita gente que profetizou a morte do rock n´roll. E morreu antes. E ele continua aí, vivo como nós, mudando e mundano como nós. Insaciável. 

Tudo faz sentido. Do riff de Satisfaction (Rolling Stones) ao refrão de Twist and Shout (Beatles), o rock encurtou nossas saias, tirou nossas calças, e chamou até o diabo pra dançar. A indústria fonográfica e a mídia musical foram estupradas, obrigadas a engolir os poucos acordes que traziam elementos não só do blues, mas do jazz. E vieram inúmeros filhos: o hard, o indie, o folk, o metal, o psycho, etc. 

Esse ano, os Rolling Stones comemoram 50 anos de carreira (em todos os sentidos), voltando ao lugar onde tocaram pela primeira vez. Você pode não gostar das reboladas jaggerianas, mas há de valorizar a longevidade da harmonia primal dos caras, intocada pelo tempo. Como o sexo. 

Também esse ano, Roger Waters, fundador e ex-baixista do Pink Floyd, nos trouxe sua ópera-rock The Wall. E quem viu, saiu de lá com a sensação clara de um orgasmo. O álbum de rock mais vendido de todos os tempos (junto ao Led Zeppelin IV) foi encenado com tudo o que tem direito, desde o próprio muro convertido em um gigantesco telão, até o efeito surround do áudio em todo o estádio do Morumbi. 

E ao longo das últimas décadas, o Brasil entrou na rota mundial do rock. Os Strokes vêm em outubro, revigorando os fãs do garage rock que já haviam se deliciado com o som do Alice in Chains, do Motörhead, do Stone Temple Pilots e do Faith No More, todos na última edição – o no mesmo dia – do SWU. 

E o rock brazuca? Dá pra comemorar algo hoje? Difícil. As bandas que surgiram no final dos anos 1970 e começo dos anos 1980 não existem ou já estão esclerosadas. Com a AIDS, surgiu o jabá do “sertanejo”, da lambada, e os refrões viraram, literalmente, chicletes (com banana). 

A galerinha dos 90, apesar de bons músicos, tentou abrasileirar um pouco do grunge e do punk rock, ou resgatar o ska e o soul. Charlie Brown Jr, Cachorro Grande, Skank e Jota Quest apareceram bem. Mas, foram adotando o estilo metamorfose ambulante, no mal sentido, e hoje estão sufocados pelo vírus do pagode chorão e do tchú-tchá do funk carioca. 

Então, o que sobrou? Bom, a habilidade do rock em se recolher no submundo e voltar com toda a força sempre foi impressionante. Vide o Lobão. Ele fica ali observando o mundo, aprende com suas tendências, se reinventa e sai novamente às ruas. Não só os Strokes, mas outras bandas sabem bem o que estão fazendo, como Franz & Ferdinand, Coldplay, White Stripes, Travis, Keane, etc. 

As camisas xadrez estão aí de novo. Obrigado, Axl Rose, Kurt Cobain e Eddie Vedder. Enfim, o mundo não fica sem rock, porque já dizia o Roger do Ultraje a Rigor: “Como é que eu fico sem sexo?”

 

 

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