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04/02/2010

vinhos femininos

Beto Sogayar
Durante as minhas férias de ano novo eu, em regra, coloco a minha leitura em dia. Tenho realmente o maior prazer em ler, seja qual for o assunto e o local em que ele esteja grafado.

Neste ano resolvi ler todos os textos publicados no site “mundomundano”, o que foi para mim uma experiência absolutamente enriquecedora, porque tive o prazer de convier com os meus colegas de coluna, mesmo que de forma meramente virtual.

Mas sou obrigado a reconhecer que um fato me chamou atenção e que é tema recorrente nos dias atuais, tanto nos textos publicados quanto no dia a dia das pessoas. A mulher está incomodada com a relação que ela tem (ou pretende ter) com o sexo oposto, ou seja, nós os homens.

Confesso que me senti um pouco incomodado com tanta reclamação (as vezes não eram efetivamente um reclamo, mas um mero comentário para que nós da classe masculina pudéssemos ser melhores).

Para se ter uma idéia, eu colacionei alguns textos publicados no site, os quais trago aqui apenas para mostrar aos nossos leitores que realmente há um senso comum (feminino) nesse sentido:

•    “ser homossexual”, de Maria Lima, publicado em 15/12/2008;

•    “um teste com os homens”, de Maria Esther Sammarone, publicado em 18/08/2009;

•    “canalhas x bonzinhos”, de Nana Ferreira, publicado em 06/04/2009;

•    “sexo frágil???”, de Deca Queiroga, publicado em 27/10/2008;

•    “seje homi” e “Carta ao Senhor Pinto”, ambos de Ana Six, publicados respectivamente em 26/03/2009 e 22/12/2009.

Saliente-se que li (na “mundomundano” e em outros veículos), muitos outros textos, mas trouxe apenas aqueles que realmente me geraram momentos de reflexão.

Pois bem! Diante desse fato, comecei a buscar textos de homens defendendo a sua posição, ou até mesmo fazendo alguma crítica às mulheres. Não achei absolutamente nada de interessante.

Senti-me, diante deste fato, absolutamente instado a falar algo, não em defesa dos homens ou das mulheres, mas que possa realmente trazer um pouco de harmonia entre as partes e, para isso, nada melhor do falarmos daquilo que realmente me interessa, o vinho. E hoje nesta coluna vamos falar de vinhos femininos.

É comum entre os enólogos, ao realizarem a degustação de um vinho, declararem que se trata de um “vinho feminino”, ou seja: fino, elegante, sensual. Para alguns, o vinho feminino também pode ser chamado de elegante, que é um termo subjetivo que descreve vinhos de qualidade, sutis e equilibrados, não muito frutados e extremamente prazerosos.

Atualmente alguns enólogos abandonaram a expressão “feminino”, notadamente os produtores do novo mundo, os quais preferem notas mais específicas para classificar o vinho.

Eu particularmente acho que não há nada mais agradável do que classificar um vinho pela sua natureza feminina.

E, na minha opinião, um vinho que realmente pode ser chamado de feminino é o produzido em Cote de Nuits (na França, Borgonha), do “Domaine de La Romanée-Conti”.

Com produção de apenas 7.500 caixas por ano, produz vinhos tintos ultra-sedosos que estão entre os mais procurados do mundo (me diga se não se parece com uma linda mulher que nós homens, quando apaixonados, somos impelidos a buscá-las a qualquer custo).

As excepcionais safras de 1990, 1996 e 1999 fazem jus à reputação e aos preços exorbitantes.

O meu conselho é para o “Romanée-Conti GC 2005”, pois trata-se de um vinho sublime. Ele é de uma delicadeza, complexidade, carregado de sabores intensos e estonteantemente perfeito. Não meus amigos, não estou falando das mulheres...mas bem que poderia ser.


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